Transparência sobre o método: cada estudo abaixo parte de um acidente real documentado, aplica a metodologia de análise de risco (dispersão, VCE, BLEVE, HAZOP) e compara o resultado do modelo com os dados oficiais. O objetivo é mostrar como trabalhamos e quão perto a modelagem chega da realidade — sem maquiar divergências.

Estudo 1 — Vila Socó / Cubatão (1984)

Validação de modelo · Petróleo · VCE + incêndio
Cenário Rompimento de duto de gasolina (OSVAT-750) sob palafitas, Cubatão/SP. ~1.000 m³ liberados.
Método Modelagem de nuvem rasa + VCE (TNO Multi-Energy) + zona de incêndio, com premissa de pior cenário.
Resultado do modelo Fatalidades estimadas ~540; nuvem inflamável em ~1.500 m.
Dados reais 93 (oficial) a 508 (estimativas independentes) mortos; ~3 km de danos.
Validação: o modelo ficou 6% acima do teto da faixa real de fatalidades e acertou o tipo de evento (VCE + incêndio). Aprendizado físico: em assentamento denso sobre duto, o dano vem mais do incêndio da nuvem que da sobrepressão.

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Estudo 2 — Indústria química de solventes / Itaquaquecetuba (2026)

Análise de consequência · Química · dispersão em pior cenário
Cenário Incêndio em indústria química de solventes na região metropolitana de São Paulo.
Método Dispersão gaussiana + modelo de nuvem rasa, com premissa declarada de pior cenário (classe F estável, vento 1,5 m/s) e fator de obstáculos urbanos.
Resultado do modelo Zona de risco de vapor (VZR) ≈ 760 m · IDLH ≈ 2.156 m · teto de nuvem ≈ 2.361 m.
Premissa Estabilidade classe F (noturna), vento baixo, fator de obstáculos 0,4 — cenário conservador, não médio.
Resultado: a adoção do pior cenário mostrou que raios de impacto podem ser bem maiores que os de uma modelagem neutra — informação crítica para plano de emergência e comunicação à comunidade.

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Estudo 3 — Arkema Crosby (2017) · caso de referência internacional

Estudo de caso CSB · Química · perda de contenção + incêndio
Cenário Inundação do parque de peróxidos orgânicos da Arkema em Crosby (Texas, EUA) após o furacão Harvey; perda de refrigeração e decomposição de peróxidos.
Método Análise de perigos, avaliação de consequência e revisão de barreiras de segurança com base no relatório oficial do U.S. Chemical Safety Board (CSB).
Lições-chave Falha em prever eventos naturais extremos no projeto; barreiras de redundância insuficientes para cenário de perda total de utilidades.
Uso didático: caso aplicado em treinamentos de gestão de segurança de processos para ilustrar cenário de pior caso (evento natural extremo + perda de utilidades) e a importância de barreiras independentes.

O que esses estudos demonstram

Rigor de método Premissas sempre declaradas, incluindo o pior cenário — nunca escondendo a severidade.
Rastreabilidade Comparação com dados oficiais (CSB, órgãos brasileiros) sempre que disponível.
Honestidade Divergências e limitações do modelo são explicitadas, não omitidas.
Aplicação prática Cada estudo vira material de treinamento e base para planos de emergência e conformidade.

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